Vida de volta

Tirei uns dias para descansar. Foi uma semana. Passou super rápido. Mas, deu um baita alívio!!! Caminhei na praia. Fiz coisas normais, como ficar de bobeira (sem culpa!) olhando pro mar, caminhar na orla, conversar fiado…Até li um livro besta, “dicas de beleza” da Luiza Brunett. Algo impensável até um mês atrás. Parei pra pensar na vida. Foi ótimo. No doutorado nem pensar na vida eu conseguia. Tese definitiva impressa. Vida entrando no eixo. Como é bom ter minha vida de volta! download

Anúncios

Ócio depois do doutorado: todo mundo precisa nem todo mundo pode!

Dia desses completei uma semana sendo DOUTORA!

Por esses dias estava observando como que a vida é boa sem fazer tese. ‘Vazio de tese’? Que nada! Estou amando isso de não fazer tese. Vejo todos os filmes que quero e vários ‘eteceteras’ a mais…

O que todo mundo mais pede depois do doutorado é um período de ócio! E nada de ócio criativo não! É ócio mesmo daqueles de ficar olhando pro nada e babando.

Depois de tanta labuta o que preciso mesmo é ficar contemplando o infinito e além..

Eu vou mesmo é tirar uns dias de folga. Folga mesmo! Todo mundo merece isso.

Reconstruindo laços depois do doutorado

Estive quatro anos fechada em meu doutorado. Poucos amigos. Pouca diversão. Poucos laços. Acho que nem tenho mais Hobbies.

Ninguém entendia minha ausência. “Como alguém pode passar mais de 12 horas por dia sentada em frente a um computador?” Diziam alguns. “Coitada de você”. Diziam outros.

E para arejar a cabeça? Eu me satisfazia com cada coisa…

Andar na rua, por exemplo. Uma ótima distração. Ver gente. Movimento. Isso me bastava. Depois voltava para minha reclusão.

Ir ao shopping. Olhar vitrines. Ver uns filmes de vez em quando. Quase um ato de rebeldia! Então, realmente “coitada de mim”. Tinham razão.

Houve uma época que tive que parar por completo de praticar atividades físicas por falta tempo. Tinha de conciliar doutorado com trabalho e casamento.

Enquanto estava eu em minha reclusão, amigos se casaram, tiveram filhos. Alguns se mudaram. Muita coisa mudou.

E por que o mundo não ficou ali do jeitinho que era, esperando eu acabar a tese?

Agora então o desafio: me encaixar em outro mundo. Um pouco diferente do que eu estava acostumada.

Posso até estar fazendo drama, mas acho que não sou apenas eu que vivo vive/viveu esse drama. Acho que merece reflexão.

Reatar laços. Laços comigo mesma. Retomar meus pequenos prazeres. Laços com a vida.

Depressão na pós-graduação: o excesso de cobrança

Os degraus que temos que subir nos respeitando

Há um momento durante a pós-graduação que nos sentimos desse tamanhinho. É quando nos damos conta da dimensão do que já foi feito na área que estamos pesquisando ou dos temas que a ela se tangenciam.

É um momento complicado. Quando dimensionamos a montanha que termos de subir é desanimador.

E, se estiver já no doutorado, você pensa:  “Cara, como eu não sabia que tudo isso já existia?”

Uma notícia: não se preocupe. É assim mesmo. Esse sentimento é mais do que normal.

Utilizando uma passagem bíblica, temos o exemplo de Salomão. Considerado o homem mais sábio de seu tempo (há mais de 2000 anos atrás), Salomão certa vez afirmou: “não há limites para fazer livros (…)”.

Naquela hora ele aponta para a vastidão que o conhecimento pode alcançar. Hoje, temos acesso a um volume enorme de  livros, periódicos, artigos, teses, dissertações e monografias. Há um volume absurdo de geração e divulgação de novos conhecimentos.

Quando nos damos conta disso, a tendência é um desânimo.

Ficamos minúsculos e pensamos: temos a contribuir?

O primeiro passo é saber que nosso trabalho por mais mirabolante que seja, será apenas mais uma contribuição dentro desse universo. Uns contribuirão mais. Outros menos.

É que o ideal dos grandes gênios às vezes sobe à cabeça.

Se pudesse dar um conselho para essa hora seria: Fique tranquilo. Leia o quanto puder, sistematize o que está lendo. Utilize o que for necessário. Avance o quanto puder.

Evitar abraçar o mundo com as pernas é um bom começo. O excesso de cobrança pode te levar à depressão. Ao sentimento de que é incapaz.

A grama do vizinho sempre parece mais verde:

” Meu amigo já tem dois capítulos prontos”, “Fulano qualificou há tantos meses e eu aqui”, “Beltrano tem três filhos, trabalha e escreveu a tese em quatro meses”, “Ciclano trabalha três turnos e vai defender primeiro que eu”.

São lamentações típicas!

Não há um padrão. Cada um de nós tem um tempo, um momento, uma história. Não estou fazendo apologia à estagnação ou acomodação. Mas, sim ao respeito próprio.

Muitas pessoas entram em crises terríveis por conta do excesso de cobrança na pós-graduação. E certas marcas ficam. Vejo muitas pessoas levarem essas marcas para a vida profissional à frente.

Pessoas inseguras por bastante tempo.

O ambiente da pós-graduação é propício à este tipo de sentimento. Cobranças e mais cobranças.

Mas, cuidado. Cuidado consigo mesmo. Não se deixe macular com essas pressões. Se respeite. Isso vai fazer toda a diferença não só para passar por esse período de formação como também na sua trajetória à frente.

Não pire. Respire.

O doutorado é só uma fase. E, acredite: vai passar!!!