Reconstruindo laços depois do doutorado

Estive quatro anos fechada em meu doutorado. Poucos amigos. Pouca diversão. Poucos laços. Acho que nem tenho mais Hobbies.

Ninguém entendia minha ausência. “Como alguém pode passar mais de 12 horas por dia sentada em frente a um computador?” Diziam alguns. “Coitada de você”. Diziam outros.

E para arejar a cabeça? Eu me satisfazia com cada coisa…

Andar na rua, por exemplo. Uma ótima distração. Ver gente. Movimento. Isso me bastava. Depois voltava para minha reclusão.

Ir ao shopping. Olhar vitrines. Ver uns filmes de vez em quando. Quase um ato de rebeldia! Então, realmente “coitada de mim”. Tinham razão.

Houve uma época que tive que parar por completo de praticar atividades físicas por falta tempo. Tinha de conciliar doutorado com trabalho e casamento.

Enquanto estava eu em minha reclusão, amigos se casaram, tiveram filhos. Alguns se mudaram. Muita coisa mudou.

E por que o mundo não ficou ali do jeitinho que era, esperando eu acabar a tese?

Agora então o desafio: me encaixar em outro mundo. Um pouco diferente do que eu estava acostumada.

Posso até estar fazendo drama, mas acho que não sou apenas eu que vivo vive/viveu esse drama. Acho que merece reflexão.

Reatar laços. Laços comigo mesma. Retomar meus pequenos prazeres. Laços com a vida.

Depressão na pós-graduação: o excesso de cobrança

Os degraus que temos que subir nos respeitando

Há um momento durante a pós-graduação que nos sentimos desse tamanhinho. É quando nos damos conta da dimensão do que já foi feito na área que estamos pesquisando ou dos temas que a ela se tangenciam.

É um momento complicado. Quando dimensionamos a montanha que termos de subir é desanimador.

E, se estiver já no doutorado, você pensa:  “Cara, como eu não sabia que tudo isso já existia?”

Uma notícia: não se preocupe. É assim mesmo. Esse sentimento é mais do que normal.

Utilizando uma passagem bíblica, temos o exemplo de Salomão. Considerado o homem mais sábio de seu tempo (há mais de 2000 anos atrás), Salomão certa vez afirmou: “não há limites para fazer livros (…)”.

Naquela hora ele aponta para a vastidão que o conhecimento pode alcançar. Hoje, temos acesso a um volume enorme de  livros, periódicos, artigos, teses, dissertações e monografias. Há um volume absurdo de geração e divulgação de novos conhecimentos.

Quando nos damos conta disso, a tendência é um desânimo.

Ficamos minúsculos e pensamos: temos a contribuir?

O primeiro passo é saber que nosso trabalho por mais mirabolante que seja, será apenas mais uma contribuição dentro desse universo. Uns contribuirão mais. Outros menos.

É que o ideal dos grandes gênios às vezes sobe à cabeça.

Se pudesse dar um conselho para essa hora seria: Fique tranquilo. Leia o quanto puder, sistematize o que está lendo. Utilize o que for necessário. Avance o quanto puder.

Evitar abraçar o mundo com as pernas é um bom começo. O excesso de cobrança pode te levar à depressão. Ao sentimento de que é incapaz.

A grama do vizinho sempre parece mais verde:

” Meu amigo já tem dois capítulos prontos”, “Fulano qualificou há tantos meses e eu aqui”, “Beltrano tem três filhos, trabalha e escreveu a tese em quatro meses”, “Ciclano trabalha três turnos e vai defender primeiro que eu”.

São lamentações típicas!

Não há um padrão. Cada um de nós tem um tempo, um momento, uma história. Não estou fazendo apologia à estagnação ou acomodação. Mas, sim ao respeito próprio.

Muitas pessoas entram em crises terríveis por conta do excesso de cobrança na pós-graduação. E certas marcas ficam. Vejo muitas pessoas levarem essas marcas para a vida profissional à frente.

Pessoas inseguras por bastante tempo.

O ambiente da pós-graduação é propício à este tipo de sentimento. Cobranças e mais cobranças.

Mas, cuidado. Cuidado consigo mesmo. Não se deixe macular com essas pressões. Se respeite. Isso vai fazer toda a diferença não só para passar por esse período de formação como também na sua trajetória à frente.

Não pire. Respire.

O doutorado é só uma fase. E, acredite: vai passar!!!

Primeiro final de semana doutora

Descanso merecido!

Esse vai ser meu primeiro final de semana ‘doutorada’.

Vou dormir sem culpa e preocupações com tese (Pelo menos com tese). Uhhhul!

Sabadão vou acordar lá pelas 9h:00m. Pra quem acorda todo dia 5h:30m, um baita bônus!

Vou fazer a unha, pintar o cabelo e ver desenho animado. Ah! Eu gosto mesmo. Se for aqueles de princesa da Disney melhor. Sou brega, confesso. Mas, sou doutora! Então, não discuta  rsrsrs

#bomfinaldesemana

Fim de uma fase e o começo de outra

E agora, José?

Obrigações, obrigações e mais obrigações.

Estava livre, leve e solta, mas em poucos dias percebo que é isso que me aguardava.

Coisas que estavam por fazer e agora faça DOUTORA.

E aí, de repente eu percebo que essa palavra também carrega uma responsabilidade!

Capítulo de livro (dois!) para entregar até o fim do mês.

Próxima semana apresento minha primeira palestra como doutora. Hiiii! Antes, se falasse alguma besteira era só estudante, né. Mas, agora?

Não tem uma categoria do tipo ‘Doutor nível zero’ para indivíduos com apenas menos de uma semana de titulação? Até seis meses vai.

Doutora, doutora, doutora. Será que essa palavrinha vai tirar minha sensação de leveza em breve?

Viche! ‘Vamo que vamo’. Deixa o medo pra lá!

O que fazer depois da tese?

Reflexões pós tese

Pois bem? E o que é a vida após o doutorado?

Ando tentando responder a essa questão.

Ainda não me acostumei a não ter tese pra fazer. Mas, também seria hipocrisia dizer que sinto o tal ‘vazio’ de não ter tese.

Na verdade tinha uma lista enorme pra realizar ‘depois da tese’. Tudo era depois da tese.

Agora, a única coisa que realmente quero é ficar sossegada. Queria ir para uma ilha deserta. Me isolar do mundo. Ficar com meus pensamentos. Talvez tenha me tornado um ser anti-social.

Deveria ter feito uma tese? A vida com tantas opções…bem que podia ter nascido milionária!